Breve homenagem ao Prof. Anacleto

Prof. Mário Anacleto

Às vezes andamos tão preocupados com as mesquinhices do dia-a-dia que vamos adiando compromissos prometidos. Promessas perdidas no tempo, adiadas por futilidades, por puro egoísmo. E  é nesta azáfama que nos vamos separando de pessoas que nos são queridas, que nos deixaram uma marca na vida. E é quando essas pessoas desaparecem que sentimos que podíamos ter aceite aquele café, que podíamos ter investido tempo naquela amizade em vez de o termos desperdiçarmos em… nada.

Sou uma pessoa alegre, não temo dizer às pessoas de que gosto delas, de que são importantes, de que me preocupo com elas. Não receio dizer “adoro-te”, “gosto de ti”. Apesar de achar que há quem não goste que eu as diga, que há quem se sinta incomodado. Pois, lamento. Lamento que ainda não me entendam. Um dia compreender-me-ão.

A mensagem de hoje têm um carisma um pouco diferente do que aqui costumo escrever, mas nesta altura não consigo pensar noutra forma de prestar a homenagem devida a uma pessoa que foi (e é) um marco na minha vida. Uma pessoa que me marcou, de quem sempre gostei, que sempre admirei, mas a quem nunca exprimi esta admiração. Faço-o hoje, lamentavelmente, quase 10 meses após a sua morte. Faço-o agora, por que só hoje tive conhecimento da notícia. Faço-o hoje, por que no meio dos meus nadas adiei um café importante, um encontro que apenas será possível quando Deus quiser que a minha alma se separe do meu corpo.

O Prof. Mário Anacleto foi um marco na minha vida. Fez parte do júri a quem me apresentei na fase de selecção para ingresso no Conservatório de Música do Porto, tinha eu 10 anos. Foi meu professor de história da música. Foi quem me empurrou na música, quem me motivou a seguir o meu sonho e apostar na formação em comunicação.

O Prof. Mário Anacleto era a alegria, uma luz. Ainda me recordo da sua voz a ecoar pelos corredores do antigo edifício do Conservatório. Não apenas a cantar. A…. gargalhar🙂 Apaixonado pelas artes, era cantor, compositor, escritor, poeta, pensador, fotógrafo, investigador. Tinha prazer em tirar cursos pura e unicamente pelo conhecimento que estes lhe traziam.  O estudo alimentava-o e a sede de conhecimento sempre foi a sua marca registada.

O Prof. Anacleto era, também ele, um apaixonado pela comunicação. Sei que estaria a preparar mais um livro ou pelo menos tencionava  fazê-lo. Depois de ter abandonado o Conservatório, reencontrei-o no Facebook, no ano passado. Ficámos de tomar um café, ansiosos por pôr a conversa em dia… Teria sido um longo café, bem sei, passaram muitos anos… Fica a mágoa de saber, hoje, que faleceu vítima de um ataque cardíaco fulminante em Novembro do ano passado. Fica a promessa de que um dia nos juntaremos a discutir comunicação, música, a cantar.

Fica um sentimento de vazio. Fica um pedido de desculpa por nunca lhe ter dito, Prof. Anacleto, que gostava de si. Até um dia.

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