O papel dos profissionais de comunicação vs. fraca visão das organizações

Numa altura em que se tem vindo a discutir o papel dos profissionais em Relações Públicas no seio das organizações e empresas, bem como o importante papel estratégico que a sua função representa, eis que é publicado um estudo que conclui que a maioria dos responsáveis de comunicação ainda não se encontra nos quadros executivos ou conselhos de administração das empresas.

O papel dos profissionais de comunicação e o seu papel estratégico têm sido amplamente discutido no Linkedin, por exemplo, e foram abordados numa conferência que a APCE realizou para a qual convidou a professora Anne Gregory, um artigo que em breve será publicado na revista da associação.

E o debate que se tem levantado é o facto de muitos administradores e mesmo os responsáveis pelo departamento financeiro das organizações não olharem para os profissionais de comunicação como parceiros para o desenvolvimento do negócio, inclusive não os considerarem sequer aquando da negociação de decisões que são importantes ao nível organizacional. Apenas reportam a decisão.

Numa altura em que tanto Portugal como a Europa atravessam uma crise social e económica (e política) ainda haverá um longo caminho a percorrer para que os administradores e departamentos financeiros interiorizem o valor real da contribuição de um profissional de RP. Por outro lado, estes últimos, têm como desafio actual o de reivindicar a sua importância no  território de informações não financeiras. Veja-se o caso da reputação, por exemplo, que é muito mais que números. Trata-se de reconhecimento, de valor, de envolvimento com os stakeholders.

Não duvido que seja uma tarefa árdua muito mais tendo em conta que o conceito de Relações Públicas ainda não se encontra bem definido em Portugal (basta ler as diversas ofertas de emprego que solicitam um assessor de comunicação para funções de secretariado, por exemplo, para não citar piores). Mas no meio de uma organização o papel do RP deve ser visto como fundamental. Na conferência que relizou a convite da APCE, Anne Gregory referiu que os administradores de uma organização esperam ter alguém capaz de resolver problemas no que respeita às relações com stakeholders, com a reputação, esperam que alguém os eduque e aconselhe nas implicações da comunicação das suas decisões. Precisam de estórias credíveis e autênticas, que potenciem o advocacy. E sustentou que terão de ser as RP a criar esta narrativa, com base na realidade.

Assim, num mundo empresarial ideal, o profissional de RP tem de ser o orientador da organização, ser capaz de definir os seus valores, a sua finalidade, os perigos que pode enfrentar. A nível corporativo, onde as tomadas de decisão são complexas, os profissionais de RP representam um papel fulcral no equilíbrio entre aquilo que são os valores da organização e aquelas que são as necessidades dos stakeholders. E neste âmbito, têm ainda de estar aptos a resolver problemas e a apresentar soluções adequadas, além de, como é óbvio, serem capazes de implementar bons planos estratégicos de comunicação.

Por fim, tendo em conta os resultados apurados no estudo internacional agora publicado, o problema não se resume apenas ao nosso País, mas a nível nacional os resultados não seriam muito diferentes.

P.S.: a propósito desta mensagem, lembrei-me de resgatar este texto de consulta obrigatória!

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