Formação em RP: tenho de ganhar o euromilhões

Sou curiosa. Talvez mais que curiosa. Sou uma pessoa sedenta de formação e de informação. Talvez por isso goste de tirar cursos, quase uns atrás dos outros, goste de assistir a palestras e a conferências, goste de estar informada e de procurar formação.

Não é de hoje o meu interesse em aprofundar os conhecimentos em comunicação. Mesmo que outras pessoas me digam que a teoria hoje não interessa, que o que realmente vale a pena é a prática, esta minha vontade de conhecimento, puro e duro, de apreender com a partilha de informação e de experiências, não se esgota. Mas são raras as oportunidades de em Portugal conseguir matar esta sede de conhecimento e partilha, apenas possíveis de aproveitar quando, por exemplo, a APCE e a EACD realizam fóruns e conferências para os profissionais em comunicação a título gratuito ou com custos simpáticos para a bolsa da maior parte dos consultores.

Exemplos concretos da minha procura (esforço frustrado).

Desde 2004 que procuro aprofundar conhecimentos na área de public affairs e lóbi. Sim, bem sei que nesta área nada se faz sem contactos, sem relações, sem conhecimento individual. Mas independentemente das relações que tenho e mantenho, gostaria de aprofundar aspectos técnicos, de partilhar experiência. Em Portugal, depois de tantos anos à procura, cheguei à conclusão que não há nada na formação na área de pubblic affairs e lóbi a não ser os livros práticos de Martins Lampreia. Aquilo que encontrei (geograficamente mais perto) são cursos de especialização/esclarecimento rápidos ministrados em Bruxelas, com preços que até posso considerar razoáveis, não fosse o facto de não estarem incluídas as despesas de alojamento e viagem. Tendo em conta que a opção será pagar do meu próprio bolso todas as despesas e equacionando entre comida  para a família ou a satisfação de um “capricho” meu, é óbvio que a primeira opção prevaleceu.

À falta de formação direccionada e específica nesta área, pensei que o melhor seria investir num curso que me permitisse conhecer o sistema político, as suas raízes, a forma de organização e funcionamento. Decidi então que o melhor seria aplicar-me num Mestrado em Ciência Política. E gostei. Deu-me oportunidade de conhecer as bases do sistema e de simplificar aquilo que, a maior parte das vezes, nos parece tão complexo. Em breve, se tudo correr bem, entregarei a minha tese de Mestrado e não dou por mal empregue o investimento que realizei ao longo de dois anos. Matou-me esta sede de conhecimento, valorizou-me pessoal e profissionalmente.

Recentemente, como já aqui dei conta, tive a oportunidade de assistir a duas fantásticas iniciativas na área das RP, nas quais aprendi, consolidei e partilhei conhecimento e informação.

E quase todas as semanas sou assediada através de emails para me incitam a efectuar inscrições nos mais variados eventos internacionais na área da comunicação. Mas só o valor de inscrição faz com que desista. Ou então tenho de interiorizar que sou mesmo pobre e que 900€ por um congresso de três dias (o mais barato que encontrei em Portugal e que se vai realizar já nos próximos dias) pode ser um valor aceitável noutros países europeus, mas está completamente desafazado da realidade portuguesa.

E eis que, ao fim de tantos anos de procura incessante, encontro um mestrado que adoraria frequentar. Dois anos, de 2012 e 2013, com sessões repartidas numa semana por cada mês, em três locais: Los Angeles, Singapura e  Lugano. Leio o programa e fico convencida: “Espectacular! É mesmo isto!”. Consulto o preço (CHF 49,500 ou seja cerca de €40.000) e penso: “Tenho de ganhar o Euromilhões!”. É que mesmo na eventualidade de conseguir a bolsa de estudo (estão a ser oferecidas quatro), esta só assegura o pagamento de 50% do valor do Mestrado. Além disso, não estão incluídas as viagens para nenhuma das três cidades, nem o alojamento em Lugano.

Somos mesmo pobres e este preço é aceitável nos outros países europeus? Como não nasci num berço de ouro e não tenho um padrinho rico, é mais uma oportunidade que fica pelo caminho. A não ser, claro, que ganhe o euromilhões (desta vez apostei) ou apareça um patrono generoso disposto a apostar em mim.

Até lá, permanece a curiosidade e valem-me as oportunidades de  conferências ou outros encontros a título gratuito (ou quase) e os livros que, a pouco e pouco, vou lendo, apreendendo e armazenando. Sinto-me tão pequenina…

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