Cancro: depois de 40 anos ainda é preciso mudar mentalidades

Ao ler as notícias de hoje, no meio de tantos títulos que insistem em relembrar-me da situação de impasse do nosso País desgovernado, dei com esta notícia da Marta Reis, publicado no jornal i, com base numa edição especial da Science dedicada aos avanços da investigação em Oncologia.

Foi em 1971 que Richard Nixon pediu à América que o “esforço concentrado que dividiu o átomo e levou o homem à Lua” se focasse então no cancro. Nesta altura, prometeu o primeiro investimento maciço em Oncologia no valor de 100 milhões de dólares, montante destinado à realização de uma campanha inédita com o objectivo de encontrar a cura para o cancro.

Quarenta anos depois, a revista Science publica uma edição especial  dedicada à investigação em Oncologia e aos avanços de quatro décadas.

Quarenta anos depois, ainda há muitas notícias em que se avança que o motivo da morte foi por “doença prolongada” ao invés de “cancro”. Na verdade, a palavra “cancro” continua a ser tabu numa altura em que já existem vacinas para o cancro do colo do útero, pese embora se desconheça ainda a biologia de muitos outros tipos de cancro.

Quarenta anos depois, “cancro” ainda é associado a morte, numa altura em que os avanços na investigação contribuíram (e contribuem) para o desenvolvimento de tratamentos eficazes que possibilitam que os doentes oncológicos possam cada vez mais ser classificados como portadores de uma doença crónica.

Quarenta anos depois, e apesar de toda a informação disponível, as pessoas continuam a recear ouvir da boca do médico “tem cancro” e persistem em adiar a consulta e em ignorar os sintomas, o que faz com que, muitas vezes, a doença oncológica não seja diagnosticada numa fase precoce o que dificulta (ou atrasa) o sucesso terapêutico.

Quarenta anos depois, ainda há que mudar mentalidades. Depende de cada um de nós, mais do que qualquer acesso a cuidados de saúde ou a tratamentos, dar o primeiro passo contra na luta contra o cancro. Por mais avanços que se consigam realizar, por mais facilitado que seja o processo de referenciação, há que vencer o medo do diagnóstico, há que abrir os olhos e não fechá-los… enquanto a descoberta da cura não se concretiza.

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