É tudo uma questão de ética!

É certo e sabido que há jornalistas que não suportam os assessores de comunicação. Mas há também quem veja no assessor uma fonte útil de informação. Como gerir esta “relação” de amor e ódio?!

Este fim-de-semana fui confrontada com uma afirmação publicada no Facebook por parte de uma jornalista que integra a minha rede de contactos e que acabou por merecer uma pequena reflexão da minha parte.

A afirmação era curta:

«”Também o excesso de jornalistas formados e o pouco trabalho em redacções leva-os as assessorias.”, está “abrasileirado” e no Wikipédia. Quem o escreveu não deixa de ter razão. É, infelizmente, do meu ponto de vista, a realidade.»

Ao ler esta afirmação, questionei: «Infelizmente?!». Esta afirmação deu então azo a uma pequena “tertúlia” virtual em que a conclusão final foi a de que tanto na assessoria de comunicação como no jornalismo há bons e maus profissionais e de que, afinal, os assessores não são jornalistas frustrados como à primeira vista às vezes se possa acreditar.

No entanto, continuo a achar que a assessoria mediática ainda é muito mal vista por quem nunca a trabalhou e mais ainda por alguns jornalistas. Os assessores mediáticos são vistos como “vendedores”, “inoportunos” e, infelizmente, muitos ainda têm como conceito de relações públicas aquele que foi referido na semana passada num artigo de opinião do DN, o qual nem me atrevo a repetir de tão ridículo que é.

Como em todos os sectores, há bons e maus profissionais. Não acho de todo que a assessoria seja a última solução para quem, qualquer que seja o motivo, saiu ou quer sair do jornalismo. Tudo depende das apostas que se querem fazer, de como se quer trabalhar, dos objectivos pessoais que cada um idealiza.

Não acho que um assessor mediático seja um jornalista frustrado, nem tão pouco que quem escolhe assessoria depois de passar pelo jornalismo seja obrigatoriamente empurrado por causa do “emagrecimento” das redacções. E, o mais óbvio, é que nas últimas semanas tenho sido abordada por alguns  jornalistas (e bons profissionais) que ao se sentirem desmotivados com o jornalismo, apesar de estarem a trabalhar, querem “dar o salto” para a consultoria de comunicação. Alguns serão, certamente, bons assessores, outros, se calhar, nem por isso.

É que a paixão que existe no jornalismo tem de existir também na consultoria de comunicação.

Há, claro, e como em praticamente todas as profissões, mais candidatos que lugares disponíveis. E é mais claro ainda que há quem seja jornalista e não se adapte minimamente à assessoria. Mas a assessoria mediática, vista como uma ferramenta da consultoria, tem de deixar de ser vista como um “bicho papão”. Claro que isto depende, e muito, de quem trabalha nesta área, da forma como encara a sua “relação” com o jornalista. Mas, já o disse, como em tudo, há bons e maus profissionais.

A minha costela direita, e todas as outras que estão agregadas, tem veia de  jornalista. Há seis anos que trabalho na área de consultoria de comunicação. Mudei de “área” não porque a paixão tenha desaparecido (uma vez jornalista, jornalista para sempre!), mas sim porque os meus objectivos e a minha ambição (confesso) levaram a que fizesse uma escolha pela consultoria.

A paixão pelo jornalismo continua mas, e muito importante, adoro aquilo que hoje faço. E é bom saber que os jornalistas com quem trabalho não sabem sequer a que agência pertenço ou as outras por onde passei (por mais que isto possa magoar os meus “chefes”). Sabem que sou a Liliana de Almeida ou a Licas (para alguns). Isto quer dizer muito…

Nunca enganei ninguém e já me enganaram. Nunca prometi nada que não cumprisse e já me fizeram muitas promessas nunca realizadas. Nunca deixei um jornalista “pendurado” e já fiquei “pendurada” algumas vezes. Nunca fui mal educada com ninguém e já o foram comigo.

Não faço contra-informação, sou contra a massificação da mensagem e a favor de uma estratégia de informação direccionada. É óbvio que tudo depende da informação a veicular. E acredito mesmo (porque me contam) que a falta de estratégia (ou as pressões a que os assessores estão sujeitos) leva a que muitas vezes os jornalistas apaguem as mensagens do email só de olharem para o remetente da mensagem sendo poucas as vezes em que validam a informação.

É uma questão de formação, de confiança, de saber trabalhar a informação, de dar o ponto de partida para o jornalista poder trabalhar. Passa tudo pela forma de como as pessoas encaram com realidade as suas funções. Assessor e jornalista: uma relação promiscua?! Depende de muitos factores. Mas passa tudo por uma questão de ética.

Também fui jornalista, também recebi muitos telefonemas em horas de deadline para fecho, também recebi informação inadequada, também recebi mensagens com erros ortográficos e gramaticais graves, também recebi informação completamente desadequada… enfim. Ética, meus caros… Ética e profissionalismo🙂

Este testemunho vai longo. E, apesar de ainda haver muito para dizer, cabe-me citar Michael Molcher, press officer do Leeds City Council, que há pouco tempo afirmou publicamente no PR Week: «Os jornalistas dão os melhores profissionais de RP. Têm “news sense”. Sabem o que os jornalistas querem.»

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: