Consultoria de comunicação: mal ou bem-amada?

Uma das situações mais ingratas quando se é consultor de comunicação dá-se quando estamos perante um cliente que não nos vê como um parceiro e não acata a orientação numa área que, enfim, é a nossa especialização. Outra é quando nos perguntam o que fazemos para, depois da resposta e de olhos bem abertos, questionarem novamente: “Mas ‘isso’ é o quê?!”

Por mais que individualmente e de forma pedagógica se tente mudar esta mentalidade e  (in)formar e firmar a actividade profissional de um consultor de comunicação, a verdade é que uma voz não tem o mesmo peso que muitas unidas no mesmo tom.

Já há muito que defendo a existência de uma  qualquer campanha de esclarecimento sobre aquele que é o papel do consultor de comunicação, já que, individualmente e por mais esforços que sejam feitos nesse sentido, a  “formação” dos clientes para aquilo que realmente somos se tem mostrado, muitas vezes, infrutífera.

Se há uns quantos clientes informados que vêem no consultor de comunicação  um parceiro, outros (menos ou nada informados) ainda acreditam que o nosso papel é “fazer-com-que-a-notícia- do-cão-que-mordeu-o-homem” seja a abertura de um qualquer telejornal ou primeira capa de um jornal. Chega! Basta de dizer “yes“, há que pôr um ponto final à subserviência.

Se não somos engenheiros, não interferimos com a opinião de um especialista quando fala sobre a sua obra. Ouvimos, compreendemos e acatamos. Então por que  razão é que quem não é da área da comunicação decide interferir, opinar e transformar-se, qual truque de magia do Luís de Matos, no super-sumo da matéria e ir contra todos os conselhos da parte daquele que, legitimamente, é o especialista na área? Por que razão todos querem assumir o poleiro de um galinheiro que não lhes pertence?! E o que fazer para mudar este cenário?

Faz falta uma entidade reguladora do sector que dentro do seu plano de acção seja capaz de desenvolver uma campanha de esclarecimento sobre o papel da consultoria de comunicação,  que através de informação credível seja capaz (in)formar os antigos, os actuais e os potenciais clientes sobre o importante papel que pode ser desempenhado pelo desenvolvimento de uma parceria.

Não escrevo aqui mais do que aquilo que tem sido defendido por outros profissionais do sector, alguns dos quais têm blogues de mérito que se encontram na lista que apresento ao lado. E, como eles, sem qualquer desprimor, não acredito que a APECOM seja a instituição mais acertada para desenvolver este tipo de actuação. É necessário criar-se um organismo autónomo que tenha por fim  regulamentar e defender o exercício dos profissionais da comunicação.

A pergunta é: para quando? A minha esperança é que os encontros Piar after Work, a ideia originalíssima do PiaR, possam ter aberto o espaço para uma discussão séria entre os Profissionais da comunicação e que em breve, muito em breve, algo mude.

2 Responses to Consultoria de comunicação: mal ou bem-amada?

  1. Pingback: Comunicação ou talvez não « Comunicação Por conta e Risco

  2. Pingback: Finalmente… uma boa notícia na Comunicação! « Comunicação Por conta e Risco

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: